quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014





De tantos óbitos por aspiração de gás carbônico,
máscaras de oxigênio já não resultam em salvamento.
Paris está um caos.
Seus transeuntes correm de um lado a outro.
São inúmeros caminhos como opções a seguir,
mas nenhum deles os leva à salvação.
http://paris.parsons.edu/wp-content/uploads/2013/02/FRANCE-PARIS-Directional-Signs-copy1_50.jpg
Não há saídas para o caos instalado.
Ou ao menos, não parece ter saídas.
Parisienses tentam, lutam, correm, mas não as enxergam.
Onde estarão as saídas? Onde estarão os caminhos?
Onde estará a salvação da bela e tranquila Paris?
A única forma, aparente, de não vir a óbito,
deve ser tentar captar a última molécula de oxigênio
que ainda pode restar no ar dessa cidade.
Saudades da Paris tranquila e solitária.

Paris está tão atordoada,
com um emarenhado de pessoas,
com idas e vindas, subidas e descidas,
oscilações e transformações
que palpitam os seres tranquilos e
estão em uma órbita externa à dela.
É tanta gente, são tantas pessoas
que resolveram desembarcar por cá,
que, de repente, passaram-se
haver congestionamentos sanguíneos,
corpóreos, emocionais, lacrimais,
sudoreses, enfim, até mesmo os transitais.
É tanta liberação de gás carbônico de uma vez só,
que a concentração do mesmo
extrapolou o limite esperado para todo o ano.
O gás letal, à saúde humana parisiense,
tem sido exalado tão fortemente e tão concentrado,
que adentrada os alvéolos humanos,
gerando a mortandade dos pulmões de quem ainda
tinha uma breve esperança de viver.
O resultado é uma terrível sensação e certeza
de sufocar aos poucos, ou pior, sufocar rapidamente,
com acréscimo repentino de angústia,
que vai atacando os demais órgãos humanos,
causando o desespero cerebral, levando a óbito.
A asfixia é a pior morte.
Você toma consciência da falência múltipla de seus órgãos,
do quanto cada parte de ti vai parando, lentamente,
de obedecer aos seus comandos,
ao passo que tudo acontece de maneira rápida,
o ar vai te faltando instantaneamente,
ele se vai de segundo a segundo,
como se o tempo nunca terminasse.
Paris está morrendo sufocada. Chega de turistas!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vai, volta, sobe, desce.
Um iôiô perâmbula por uma corda
inconstante que treme a cada lançamento
e que tenta se estabelecer a cada recuperação.
Queda e recperação: dois princípios.
Princípios de lançamento e retorno;
de desconstrução e (re)construção.
A estrada percorrida acelera seu caminho
como uma esteira rolante desenfreada,
o ar me falta, o fôlego acaba, os pulmões secam.
O sangue escurecem, as células apodrecem,
a carne putrefa, sobram os ossos, os sentimentos atordoam,
explodem, distorcem, distoam, acabam.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Que frio.
As coisas estão gélidas. Os corrimões queimam a epiderme.
A torre nunca esteve tão inóspita, mesmo com pessoas caindo aos montes,
devido à sua lotação está máxima.
Na verdade, a torre nunca esteve tão...
... desencantada. Ela nunca esteve tão distante dos meus olhos, de mim.
 Na verdade, Paris perdeu a graça.
Sim, isso é verdade. Por mais estranho que possa soar, não há mais graça em Paris.
É tanto frio num sol a pino, que sufoca minhas células, ao passo que elas tentam respirar.
E eu começo a necrosar. Putrefarei. Não, decomponho.
Arranco as células que decretaram suas mortes, a fim de deixar que as próximas nasçam com vidas, mas não adianta.
As segundas, já estão necrosadas, devido às primeiras. Assim acontecem com as terceiras, devido às segundas; com as quartas, pelas terceiras e assim as horas se esvaem, minha carne brota, aquele liquido vermelho, escurece e tudo começa a apodrecer.
Justamente a torre, aquela torre que me prometia dias felizes, hoje, é o que mais faz com que me sinta só, triste, destruído.
Sinto-me longe da Paris tão amada, desejada e que um dia já me fez feliz. Ao subir no segundo andar da torre, a solidão é tão intensa, que o terceiro me causa morte súbita.
O medo de chegar às grades faz-me ficar parado ao fundo, quase preso, entrelaçado naquele emaranhado de aço soldado.
Eu olho à frente e as coisas, pessoas, prédios, seres, cada vez ficam mais longe. É como se eu entrasse em um túnel, em um buraco negro, sei lá, e, segundo a segundo, eu me afundasse nele.
O ponto de fuga fugindo de minhas mãos, deixando de ser palpável, de ser visível, concreto, viável, findável.
Eu grito, peço ajuda, não escutam, eu não escuto. O silêncio paira e me ensurdece.
Meus braços se tornam galhos, meus pés, raízes, minha voz, seiva bruta, queria elaborada. Tudo me trava.
Começo a percorrer meu corpo com minhas mãos, tento despertar meu tato, meus tecidos, células, órgãos, organismo, mas nada reage. Tudo foi decomposto, morto, apodrecido.
Nada sai, o temor, o medo, a dor, a tristeza, tudo, entra. Tudo me corrói. Não consigo entender o que se passa.
O que acontece em mim, que empata minha reação. Tudo está em mim, a vontade, o desejo, a coragem, o ímpeto, o clamor, o fogo do grito da liberdade, mas quando a porta do calabouço está a um passo de explodir, tamanhas são as rachaduras que minhas unhas provocam, o vácuo me suga, o buraco negro, o túnel me engole.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estou chocado, perplexo!
Paris nunca esteve tão à flor da pele, como hoje.
Foi um dia intenso, haviam mais pessoas, do que o normal. Uma correria absurda.
Movimento intenso, emoções intensas. ///
Ah! // Suspiros não foram suficientes para controlarem
minha surpresa, por tamanha correria alheia,
enquanto eu estava no fronte de batalha,
perdido entre balas, tanques e seres humanos
sendo lançados de um lado para o outro.

Enquanto tentava driblar tudo que passava em meio a mim,
a única coisa que pensei foi em me abaixar, pois se estás na guerra,
deitar-se ao chão, talvez fosse a melhor escolha para tentar evitar de ser atingido.
Hoje, com a cidade mais calma, comigo mais calmo,
não sei bem se foi a melhor opção, mas foi a que menos me causou prejuízo.
Não enfrentei, não fugi, não retruquei, apenas me abaixei e
permitir que todas as munições cruzassem umas as outras,
e não me atingissem senão, de raspão. Ora, os ferimentos seriam e foram os menores.
Foi em Paris que encontrei meu refúgio, foi aqui que me curei, foi aqui que voltei a viver.
Pensei que seria mais fácil de ser entendido pelos seres que me acompanhavam até então.
Enganei-me feio. Frustrei-me. Mas, agora, fiz um peeling de diamante e as rugas de preocupação se foram.
Deu para perceber, não é?!
Se quem dizia ser meu amigo, não quis entender meu refúgio, amigo meu nunca foi.
O engraçado é que todos eles já sofreram pelo mesmo motivo que eu, e na época, quiseram o apoio
dos mais próximos, eu, era um deles, e dei todo apoio incondicional.
Já a mim, foi negado, lavaram-se as mãos.
É! É a velha história do sempre venha nós, e nada ao vosso reino.
Talvez porque, ou, se sentissem angustiados por me verem na situação em que estive e não soubessem o que fazer, porém vale informar que eu dei diversas dicas de como me ajudar e deixei bastante claro, que eu estava sofrendo, minha forma de sofrer era essa, eu não fingiria estar tudo bem, só pra ser aceito socialmente, e que meu sofrimento deveria e valia, sim, ser sentido, não pelo próximo, mas por mim, por minha causa, por necessitar disso, por precisar morrer, para reviver.
Ou talvez, porque as pessoas não saibam mais lidar com as outras, quem sabe até, muito menos com as que expõem seus sentimentos, haja vista a sociedade fria e mórbida em que vivemos. Muito provavelmente poderia ter sido pelo fato de que me ver sofrer pelo que sentia, fizesse com que elas se identificassem com minha dor, pois já sentiram também, e relembrá-las de como ficaram, as fazia mal. Ou talvez qualquer motivo, além desses, ou que não tivesse nada a ver com esses.
O importante a frisar é que jamais lavei minha mãos para eles, jamais os julguei de errados ou certos por terem lavado-as para mim, ou pela forma em sofreram pelo mesmo motivo, frustrei-me, sim, me entristeci, sim, eram meus amigos, e pude reparar que só carregavam esse título, quando eu estava feliz, engraçado e divertido.
Só lastimo por eles, por não saberem lidar com sentimentos, pois se não sabem com os dos outros, muito menos saberão com os deles. A fragilidade é interna, a grosseria e a recusa dela, externas.
Além disso, nunca os julguei de certos ou errados, perante os meus conceitos, os tenho, mas os guardo para mim. Declaro, apenas, minha tristeza, no entanto, tento justificar as atitudes deles, eu sou relativista mesmo. Dá nisso! Só que fui julgado de errado e de tudo mais, por meu isolamento, pelo modo em que eu funciono, por precisar sofrer, para me sentir bem, (você já deve ter se tocado sobre qual mito refiro-me a mim mesmo), eu fui julgado, escrachado, desvirtuado, abandonado, por não seguir um sentimento frio e social.
Desculpem-me, meu inverno foi rigoroso demais, estando sempre em busca do verão parisiense que começo a viver, para me tornar frio e gélido, constantemente, somente para ser aceito como uma pessoa atrativa. Eu atraiu e vou atrair a quem quer que seja, pelas minhas virtudes, meus defeitos - os quais procuro sempre assumi-los e gerar minha própria evolução-, seja pela minha alegria, e, principalmente, seja pela minha tristeza. Eu sou assim e continuarei sendo. As alterações serão apenas as com cunho evolutivo, pois o primeiro passo para elas, eu já dei há muito tempo: reconhecer meus erros, pensar em todos os lados de uma mesma situação, me colocar no lugar do próximo, antes de julgá-lo. Já os demais, só tenho a desejar que repensem seus conceitos. O ser humano evolui, também, e, principalmente, pela revisão e reconstrução deles.

Eu, hoje, vivo os primeiros dias do meu verão em Paris. Um verão vistoso e bastante florido. Um verão em que tenho descoberto ser a minha melhor companhia, o meu melhor amor, o meu melhor companheiro.
Sim, tenho amigos, alguns se foram, desde que me mudei para cá, mas outros sempre vêem me visitar, e os novos desembarcaram a pouco e fui recebê-los no saguão do aeroporto, no cais do porto, na sala de desembarque rodoviário e ferroviário, enfim, de todos os lugares de que eles vierem, sejam os novos, os antigos, todos serão bem recebidos por mim e, o mais importante, todos vibram por mim, por minhas conquistas.
Eu sei, sim, eu sei que colhemos o que plantamos. Mas há sempre uma nova oportunidade de plantar, e outra, de colher. Eu tenho plantado novos ramos, e os brotos já começam a desabrochar e a hora da colheita chegará, logo mais. Por mais que "quem já perdeu a esperança, não tem medo de se desesperar"*, diria Medeia de "Saluba.Medeia", porém, "Os começos são bons, os finais, tristes, mas são os meios que contam mais. Quando estiver no começo, é só deixar o carro da esperança passar, que o resto virá", diria Burdh, de "Quando o amor acontece". Ambas têm total sentido, mas, eu não perdi as minhas esperanças, portanto, não perca as suas, não percamos as nossas.
Paris, hoje, está calma, tranquila, o fronte findou-se, as lembranças da guerra, se esvaem com o passar das horas. As esperanças não foram perdidas, percebe?
O glamour, o poder, a sabedoria e  discernimento, também!
Agora, é hora de abrir a janela da frente e voltar a regar meu broto e observá-lo crescer e dar folhas e frutos bem vistosos e saborosos. Vai, rega o teu! Bom desempenho. Contudo, para que ele cresça a cada dia mais bonito, lembre-se, ame, ame, ame.


* JUNIOR, Celso. Saluba.Medeia, 2013.

sábado, 10 de agosto de 2013

O sol estilhaça os vidros da minha janela,
mas o vento sopra bem frio.
Outro fim, mais um começo.
Isso as vezes até parece cansar,
porém, a única esperança que fica é:
amanhã há de ser um novo dia,
ou melhor, hoje tem de ser um novo dia.
Mas como? Complicado de se responder.
Hoje, Paris ficou um pouco de lado.
Viver lá é fabuloso, mas hoje, talvez, somente hoje,
ou não, quem sabe, as comparações ficam de lado,
a realidade, sem mais ser fantasiosamente vistosa,
tem de ser vivida. E estou a vivê-la.
As comparações param por aqui,
as metáforas também, por mais redundante que isso
possa, e até mesmo, seja.
Estou triste, em meio a um dia lindo, de sol e céu aberto,
mas com uma ventania que gela até meu cérebro.
O processo inicia-se mais uma vez,
só que dessa, embora meio duvidosa,
nos traz "aquela" certeza de que há vida após a dor.
Hoje não há imagens, não há momentos de euforia, não há nada.
Há, na verdade. O agradecimento por mais um dia vivo,
por mais um dia de dor que trará um aprendizado,
por mais um dia em que não desisti,
por mais um dia que tento ser e fazer diferente.
Talvez não seja ou nem consiga, mas ainda há esperança.
Ora, ela deve sempre existir. Se necessito do amor para ser e viver,
ter esperança em mim, é um gesto de amor próprio, ou seja,
talvez, um dia, isso me faça estar no lucro, quem sabe.
Bem lá de longe, o verde toma conta da minha visão.
Mais uma representação de que pode e há vida à frente.
Porque desistir? Não há motivos. Sim, há.
Necessito do amor para viver, e eu o tenho.
E dele me faço e sou triste, e por ele, me faço e sou feliz.
Abandonar os sonhos, ou refazê-los a partir de si,
e não mais unido a outro, não é fácil, mas me disseram ser possível.
Porque não acreditar? Porque, como diriam os leigos,
"o buraco é mais embaixo", e nesse caso, a relação entre
sua luta e o amor que tens e deves deixar de ter, torna a situação mais séria,
mais grave, mais, diria eu, ferrada.
Mas o vento é frio, que congela o novo, talvez, até, nos tirando a vontade de vivê-lo,
porém, o calor que emana lá daquela estrela maior, o sol ou do seu deus, sei lá,
aquece o gelo e, bem devagar, derrete-o. O sangue volta a circular,
pulsa, ferve, dá vida, dá amor a si e ao próximo, dá amor à vida.
Então, sigamos em direção ao verde, à esperança, sigamos em nossa direção.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Dias nublados de primavera.


Que frio sinto em plena primavera parisiense.
És o segundo dia nublado em Paris.
As flores perderam o brilho de suas cores,
algumas até aparentam estar congeladas,
tamanho o frio que tem assolado a cidade, a minha cidade.
Dias de outono, em plena primavera? Isso é confuso.
"Chorei, chorei, chorei, até ficar com dó de mim,
me tranquei no camarim, tomei um calmante, excitante...",
como certa vez escreveu o poeta tal expressão imortalizada.
O céu nublado transfigurou uma eterna noite ao meu redor.
Tudo estava escuro. As horas passavam, passavam, passavam...
e eu ali, estático, imóvel. O novo paralisa, nos deixa estáticos, talvez até nos tire a coragem de encara-lo.








A velha que vivia a fiar, na estória da Bela Adormecida, me apareceu tão singela,
querida, boa, simpática, desejando que convivêssemos em paz, que pensei: Estranha atitude. Ela pensa que não conheço sua estória?
Mas era o início de uma nova jornada, ela já havia cumprido seu objetivo de vida,
vai que tivesse mudado e se arrependido, não é?
As pessoas merecem uma nova chance, afinal mudanças acontecem.
viver em paz com ela, aceitá-la e até ser gentil, chamei a atenção dos seres que ali viviam.

Todos ficaram contente com a nova presença que ali estava.
Eu fazia sucesso entre eles. Conversávamos por horas,
tratava-os com tamanha educação e gentileza,
que logo os elogios vieram e chegaram aos ouvidos da minha velha colega.
Juro que nunca quis tomar seu lugar na floresta, e nem quero.
Não curto comandar, a função que ali exerço é a que mais me agrada e me faz feliz.
Desbravar aquele local, me encantava, me fascinava e minha gentileza e educação,
são só parte da educação que recebi de casa.
Mas mal sabia eu que a velha que vivia a fiar, se irritaria com o meu sucesso em sua floresta.

De repente, o sol que tanto brilhava e acalentava meus dias, sumiu, e as nuvens juntaram-se
fechando o tempo, trazendo um enorme frio à Paris.
Desde então, eu não tenho vivido em paz. Tudo que faço é motivo de reclamação e broncas.
Ao ponto de que até a minha gentileza e agradabilidade passaram a irritá-la,
embora não sendo a única a sentir isso, dissera ela, que os meus colegas de habitação também
sentiam o mesmo. Criticou minha educação, por eu não ter sido educado em uma floresta,
e que por isso deveria parar. Questionei o porque? Mas você pensa que houve conversa?
Não. Ela somente disse é assim e pronto. Se quiser continuar em minha floresta, vai seguir a dança que eu decidir.

Em meio a tudo isso, eu e o leão de Nárnia, que vivíamos em paz,
como vínhamos vivendo há semanas, mais uma vez nos desentendemos.
A briga foi séria por uma coisa inútil, como ele mesmo disse, ridícula.
As relações cordiais foram estremecidas e, aparentemente, cortadas.
Fui acusado disso e daquilo pela velha fiandeira e pelo leão,
nem tive como me defender. Olhava para o céu e o sol havia sumido,
a escuridão tomara conta de lá, meu brilho sumira, minha energia deixara de existir.
Paris ficou inabitável, perigosa.
Não sei mais onde por meus pés e conseguir caminhar. Estou parado e perdido. Não enxergo um palmo à minha frente, por mais forte e clara que a lua se faça.
Mas não dizem que a esperança é a ultima que morre, enquanto é a primeira que mata?
Então, ao me matar, porém, antes mesmo de morrer por ultimo, eis que em meio à escuridão,
esbarro em uma mão. Uma mão que, seguramente, não estava perdida. Uma mão que, meio sem razão, me dera sustentação e um norte.

Começara ali a enxergar as primeiras coisas em meio ao escuro.
Não que tenha-se feito a luz, não. Apenas minhas pupilas dilataram e se acostumaram à escuridão.
Ficamos ali parados, a caminhar por Paris, conversando sem nos movermos, mas fomos em cada
canto dessa cidade fascinante. Não movemos se quer um fio de cabelo,
mas chegamos à Sacre Couer, ali mesmo em Montmartre.

Quando de repente comecei a sentir a textura da pele daquela mão
e me lembrei que a conhecia. Tinha alguns meses que não nos víamos,
e mesmo nesse tenebroso escuro, ela me encontrara.
Ah, minha querida e estimada Carmen, que tantos balangandãs moveu,
em seus shows, em sua jornada, em sua vida. Como é bom reencontrá-la!
Você conseguiu me dar coragem, para encarar esses dias nublados, e me deu de volta esperança, pelos os quais o sol, ao raiar, encandeará minha vida de alegria e felicidade, podendo curtir, outra vez, minha primavera, que quer se desembocar em um delicioso verão parisiense.
Obrigado, Carmenzita!

sábado, 15 de junho de 2013

O amor brotará.


Que primavera parisiense bombada,
e olhe que eu nem gosto desse termo,
mas só ele mesmo, para defini-la.
Todos voltamos de Versalhes,
mas nem tivemos tempo dos nos vermos.
Sabe aquele momento em que você
se recolhe, se isola, pois o seu sofrimento,
pode estar incomodando os próximos,
mas na verdade, ele te incomoda muito mais
e você prefere ficar sozinho?
Pois bem, eu estou isolado.
Em plena Paris, dos meus sonhos e realidades,
eu me isolei. A primavera daqui está bastante
movimentada, que, as vezes, nem tempo
para mim eu tenho tido.
De certo, o grifo bateu suas asas e voltou
à companhia da falsa tartaruga.

Diz ele ter ido entristecido,
mas meu isolamento, necessitava, de estar só.
O leão de Nárnia tem se comportado muito bem.
Sem mais problemas, a relação está em tons azuis,
como ele gosta e eu admiro. Viver em paz, com o leão,
me deixa tranquilo.
Ao mesmo tempo que me faço só e sou só,
estou lidando com uns dias bem movimentados.
Conhecendo e sendo gentil com pessoas desconhecidas
Poderia ser tenso, mas se não fosse ao som de Elvis ou Beatles,
em um ambiente bastante descolado e girando de um lado para o outro,
eu, em meu isolamento, poderia surtar. Sim, surtei e surto, na verdade,
mas é um surto extremamente agradável e positivo.
Isso faz com que saia do meu isolamento, e olhe pela janela da frente,
meu broto crescendo e se fortalecendo, o cheiro das rosas,
levados pela brisa fria de Paris, regojizando minhas energias,
sarando as ferias, limpando a maquiagem que borrara,
e insistia em querer ser à prova d'água.
Desde ontem, Matogrosso não sai dos meus pensamentos,
 pois "corra e olhe o céu, que o sol vem trazendo bom dia",
e quão bons são esses bons dias, trazidos por esse sol primaverístico,
beirando um verão delicioso.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ah, o que faz a saudades...
Te faz ler, ver, ouvir coisas
que só te fazem lembrar
e aumentá-la até não se saber mais o que fazer.
Saudade, palavra que existe apenas
na língua portuguesa,
mas que você sente até
distante a 7 léguas.
Dias com saudade
são tristes, mas se a sua
é leve, ela te dará uma leveza
nos teus dias e até te fará
sorrir por momentos.
Noutros, você vai chorar,
noutros, secarás suas lágrimas,
por fim, noutros, entenderá
que não há como não se ter
saudade
quando não há como se
apagar o que se sente pelo próximo.
É apenas conviver com isso,
ao passo que um dia,
você, meio sem perceber,
compartimentaliza o sentir,
e a saudade aquieta em teu peito
e você se acalma.
Mas até lá, viva, chore, lembre,
vai te fazer bem, de alguma forma,
mas te fará.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

De retour à Paris.


Bonjour, Paris!
Versailles était belle.
Mas a saudades de ti e de sua primavera,
não me fazem deixá-la por tanto tempo.
Por hora, lembrei de Londres.
Ah, Londres! Precisamos nos rever.
Esse caso dúbio de amor, deixa-me polvoroso.
Cá estou, inspirando o belo cheiro de suas flores,
e esqueci de contar-te, minha bela Paris. Algo aconteceu nessa ultima hora.
O leão de Nárnia e eu fizemos as pazes, outra vez.
Nossa história é complicada, mas há algo
que faz com que nos entendamos. Não sei explicar,
muito menos ele, como disse, mas é assim.
A gente se entende, se desentende, e vamos caminhando.
Enfim... espera um pouco. /// Olha, só quem vejo!
Meu pássaro verde. Ele está revoando a janela da frente.
Ora, como me agrada tanto vê-lo.
Ele sempre gentil e fofo, me ajudando a cuidar e regar o meu broto.
Cada vez que nos encontramos, fico tão bem, a companhia dele é fantástica.
Espero que ele goste da surpresa que tenho para ele.
Ops! Falei demais! Melhor ficar quietinho.
Ontem, eu ouvi algo que me marcou.
A Fada Madrinha da Cinderella, isso mesmo, aquela bondosa fada, me disse:
"A arte é a melhor maneira de curar a loucura",
ou foi algo do tipo. Citação certa ou não,
eu concordo com ela e isso me fez pensar bastante,
pois sou feito de amor e pensamentos da cabeça aos pés,
e para fazer algo, preciso amar o que faço,
pois só o amor nos faz amar e só o amor nos faz deixar de amar,
quem ou o que, nos foi tirado. Ou, só o amor, nos faz parar
de lutar contra o que sentimentos e aceitar que serão apenas
as boas lembranças que ficarão quando tudo findar.

Tão bom, viver a minha primavera, respirar a minha primavera,
e perceber que os meus jardins de outono, outrora, se transformaram
em belos jardins de primavera, que liberam um ar puro e tranquilo,
sem que haja mais o temor da tempestade, já que no fim, a água sempre seca,
e a terra fica apropriada, as flores no seu processo de reprodução, acabam
dando a chance de outras botarem, e isso é o que me basta.

Mas elas são tão esplendorosas, que acabam também dando a chance do amor brotar
e fazer feliz a quem ama a vida, a quem se ama e a quem é amado.
Só o amor nos traz a felicidade, a sabedoria e o discernimento
para sabermos viver o ar puro de uma bela primavera refrescante
anunciando um verão parisiense encantador.
O sol está esquentando a sua alma, aproveite, viva o amor, viva amando.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Versalhes através do Espelho.


Desde quinta, ou sexta, creio eu, estou sensível.
Não sensibilizado, sensível, eu digo. Afirmo, melhor dizendo.
Paris está estranha, confusa, com uma neblina intensa. Os ares da primavera estão meio tempestuosos,
ao passo que se fazem brisa a acalentar e a atormentar corações alados.
Foram dias tumultuados. Todos vieram me ver.
Rei Branco e sua Rainha Branca, a Rainha Vermelha, o Grifo,
o Humpty Dumpty, a própria Alice, o acendedor de lampiões,
Tweedledum e Tweedledee, Cinderella, Bela Adormecida, o Chapaleiro, a Lebre de Março,
o Caxinguelê, a Raposa, a Duquesa, o Cavaleiro de Sagitário, Chelshire, foram tantos...enfim, estou vivo.
Me fizeram bem, eufórico, mas pairava o medo das
Rainhas de Copas e Bunckingham, comparecerem.
Não saberia reagir a elas. /// Minto.
Saberia sim, reverências, pois a fantasia de princesa ainda impera,
mas, a educação iria pairar no ar. Sim, ser educado e gentil, sempre,
com qualquer pessoa, mesmo que sejam as temidas rainhas. Afinal, um dia o salto quebra e elas despencarão. Espero que não se machuquem muito.
Faltava alguém. Faltava a moça do cesto de doces. Chapeuzinho, faltou você em meio nessa polvorosa festa em Versalhes. Mas nem pense que esqueci de ti, meu passarinho verde. Você foi outro personagem a fazer falta. Só não me peça para aceitar seus motivos.
Sentirei sua ausência, pelos dias primaverísticos, ou quaisquer sejam eles em todas as estações, que se arrastam e brotam em Paris.
Até aí, estaria tudo bem se a Rainha Branca e o Leão não saíssem de Nárnia.
Ela, por um aviso, mexera tanto comigo, que me deixara desconcertado.
Ele, por ressurgir, depois que eu sairá de lá, às duras penas, reaparece,
jurando amizade, companheirismo, e o pior, auxílio e apoio.
Tenho de confessar, eu e o Leão há tempos não nos damos bem.
Não temos nenhuma ligação, mas mesmo assim, não há amizade.
Lutas, feridas adiquiridas de suas garras e mordidas em meu ser, acabaram comigo.
O trauma, acompanhado da vacina, são enormes, me deixa atordoado e
despreparado, em pânico, eu afirmo, ao me deparar com sinais próximos
do Leão em outro seres de Nárnia, através do espelho.
Devo confessar, novamente, nem sei ao certo mais, se antes, aqui, havia confessado algo,
enfim, confesso-lhe que a Rainha Branca de Nárnia mexeu muito mais comigo do que o Leão.
Estou angustiado, tomarei meu ansiolítico.

domingo, 26 de maio de 2013

Uma noite em Versalhes.


Senti saudades de mim.
Também, foram tantos dias corridos,
esses últimos, e de tão corridos,
eles se fizeram pelo nublado
do céu parisiense.
O nublado era tanto,
que fomos para Versalhes,
haveria a grande noite de gala,
e não poderia faltar. Afinal, eu
era uma das estrelas.
Versalhes estava com o céu limpo
foi um dia tranquilo.
revi alguns amigos, outros colegas,
que pegaram seus transatlânticos,
aviões, barcas ou carros e vieram
ao meu encontro. Foi uma noite linda!
Até os mais próximos da rainha inglesa,
compareceram e tornaram, junto aos demais,
a noite agradabilíssima e fantástica.
Era a finalização da minha conquista profissional,
ao menos do início da caminhada.
Mas faltava algo. Algo que me fizera e fazer
sofrer calado, mesmo depois da fantástica noite
regada a muitos amigos e seres encantadores.
Ela não estava comigo. Sonhara sempre com nós
dois naquele momento. Versalhes e suas flores,
sim, a primavera ainda continua,
estavam chorosos. Eu e eles, estávamos.
Ela não teve como embarcar a Versalhes.
Tentou, correu, de um canto a outro,
mas não haviam mais passagens.
Parecia um randevu, de tanta gente naquele palácio.
O aviador, a raposa, o príncipe, a rainha de copas,
a vermelha e a branca e seus respectivos maridos,
Poseidon, até minha florzinha, se pôs em um pequeno vaso
e foi ver-me encerrando essa fase.
Só não supero a ausência da garota dos doces e do meu passarinho verde. Mas, enfim...
Agradeço a todos que estiveram em Versalhes.
Aquela noite só chegou à perfeição com a presença de vocês.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um segundo dia de Primavera em Paris


É, a primavera em Paris, chegou.
E para quem tinha receio deste fatídico dia,
ela já se mostra fria e com uma grande
quantidade de água caindo céu a baixo.
Esse era o meu medo.
Se a primavera trouxesse consigo
o frio, como lidaria com isso?
Tenho dois amigos pássaros.
Um de cor verde, que hoje já não se incomoda mais em ser assim,
outro, de cor branca, feito a neve, mas que de frio não há nada.
O branco, certo dia comentou, se o frio chegar, você corre
pega o cobertor e se agasalha.
O verde, vira e me diz algo tão belo que nem sei
explicar como me tocou.
Disse ele, alguns dias são mais difíceis que os outros,
mas espero que hoje você consiga perceber,
que consegue sobreviver para os dias quentes
da primavera de Paris.
De certo que o dia hoje amanheceu nublado na cidade,
quase não dá para se ver a torre,
mas o leve frio, consegue esquentar a alma de quem ama.
A minha volta a esquentar,
algo de muito bom para um segundo dia de primavera parisiense.
Ontem não foi um dia fácil. Criei certo trauma com a numeração 7,
ou qualquer soma, subtração, multiplicação ou divisão,
que recaia sobre esse número. E ontem, resultava-se nele.
O menos pior é que poucas vezes lembrei desse número fatídico,
e o dia não foi pior. Você soube levar adiante.
Saudações para ti. Estás de parabéns.
Hoje a soma se dá na casa 8, menos mal,
o infinito à sua espera.
O que achas?
Não seria o momento de correr pelos campos primaverísticos de Paris?
Eles estão limpos, sem folhas caídas ao chão,
apenas o verde brotando cada vez mais e
as flores surgindo em mais e mais cores.
O céu está azul, as cores são fortes e irradiam energias positivas,
inclusive para que o 7 seja apenas um numeral cardinal
dentre tantos outros.
Eu sei, talvez demore para ele ser irrisório, mas esforce-se,
tente, faça diferente. Não existem monstros que nos façam
perder a coragem e esmaecer de medo.
Nós é que os tornamos grandes demais do que são,
ou melhor, nós que os tornamos monstros, afinal nem formigas, eles são.
Você é forte, nós somos fortes, estamos juntos nessa batalha,
você e eu, que ainda sou pequeno, uma criança ganhando forças
em minhas pernas robustas para que saiamos, de mãos dadas,
a sermos felizes. Você me criando, me educando e eu te fazendo a si.
Você e eu somos mais fortes do que qualquer ser autodestrutivo.
Nós superamos todos que nos apresentaram em pele
de reis, rainhas, princesas e quaisquer outras fantasias.
Vamos adiante, pois temos o 8 ao nosso favor, certo?
Vamos, venha, eu estou contigo e nós nos protegeremos.
Eu a você e você a mim, feitos um para o outro.
Percebeu?
Não há de ter traumas,
somente aprendizados e você conseguiu mais um.
Levante, confie em si, pegue em minha mão, eu te protejo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ame. Ame. Ame.


Está bem, tenho de aceitar que hoje é a minha primeira noite de insônia,
desde que tudo começou a desandar, ou como preferem dizer minha psicóloga e terapeuta,
em que começaram-se as mudanças.
As vezes Poseidon e Hades se confundem numa mesma pessoa.
Isso é confuso. Ou você controla, ou pensa em controlar, os mares,
ou o reino dos mortos. Só que Poseidon tem sido tão enfático, que parece
entrar em uma fusão com Hades. Isso me assusta, mas ninguém melhor do que Zeus,
irmão de ambos, para empatar essa fusão ou apartar os conflitos gerados por ela.
Seja Hades ou Poseidon, enfim, isso não importa nesse momento,
mas o importante é que ao avistar os fundos do meu jardim de outono, da janela da cozinha,
percebo, bem lá de longe, sem muita certeza, portanto, que parece-me que algumas flores brotam da grama.
Serão mesmo flores? Estou confuso. Serão flores que anunciam a primavera,
ou alguns flocos de neve, que de longe nos confunde como uma flor brotada?
As vezes creio que minha primavera já chegara, noutras, tenho medo disso ser verdade.
Tenho medo de ser só ilusão ou que sendo verdade, ela não traga apenas bons momentos.
Isso me deixa paralisado e apático. Tenso.
És tu primavera parisiense, ou apenas mais flocos de neve que anunciam outro inverno rigoroso?
Não sei ainda. A visão que tenho é tão embaçada, que gera minha incerteza.
O medo não me permite chegar até lá e enfrentar seja qual for a situação.
Lembrei-me de Bunckingham, por um instante, e não foi uma boa lembrança.
A rainha me parece muito mais a Rainha de Copas de Alice,
do que o rei Sutão de Alladdin.
"Cortem-lhe a cabeça" ou "Gênio, eu desejo ser muito feliz!"
Rá! Felicidade, como se tu existisses plenamente.
Mas todos não a buscam? Então acreditemos que ela existe, ora bolas!
Estou entre a cruz e a espada. Se correr, o bicho pega, mas se ficar, sou dilacerado.
Uma confusão permeia minha alma e mente. Não sabemos qual decisão tomar:
seguir à diante e enfrentar a paisagem branca que se apresenta, ou continuar da janela esperando ver
se ela aumenta, por serem flores brotando, ou se seu crescimento é só pela nevasca que começara a cair.
Tenho medo. Estou paralisado. Não sei que decisão tomar. É o medo do futuro.
No entanto, futuro esse de quem ainda não consegue enxergá-lo,
mas que, ironicamente, ele se apresenta em forma de presente bem sucedido a cada dia.
Ou, o medo de um novo inverno que por pouco arrancara meu sangue de dentro de mim.
O novo congela, pára, inativa o ser humano, talvez até, tire a coragem para desfrutá-lo.
Está bem, estou com medo. Ele está com medo.
Em certo momento do meu medo, corri para a janela da frente e avistei meu pequeno broto. Como ele estará?
Ufa! Ele está firme, forte, sem nada branco ao seu redor.
Porém, ainda estou nervoso, só que um pouco mais aliviado, se forem flocos de neve, eles ainda não atingiram minha esperança particular, e sendo assim, eu tenho chances de não deixar que isso ocorra.
Foi quando, corri para a janela da qual avisto o jardim vizinho e me assustei.
Uma enorme névoa sombreava minha flor. Fiquei desesperado. Jurei a mim mesmo que não a deixaria sofrer se quer nenhum arranhão. E agora? Ela está em perigo, mas meu medo me trava. O que faço?
Voltei para a cozinha. Meu medo ainda me deixa imóvel.
Ele não quer enfrentar a paisagem branca ao fundo do seu jardim de outono,
pelo receio de não serem flores, anunciando alguma primavera,
mas sim, flocos de neve que caem rapidamente, gerando uma forte nevasca.
Mas, eu sou forte, eu sou muito maior que o meu medo, eu sou mais eu e eu mereço mais do que singelos floquinhos de neve e um presságio de nevasca que será irrisória.
Eu mereço mais, então, portanto, eu assumo o início da minha primavera parisiense, nem que para isso,
eu mesmo tenha de expulsar os flocos de neve do meu jardim.
Diria-me Louise Hay, se acaso nos encontrássemos e lhe contasse toda a história. Ela sempre diz: comece com afirmações positivas, elas gerarão sentimentos positivos e ambos aliados, gerarão, ações positivas e sua vida começará a mudar, do micro, para o macro.
Então, está bem, sou forte o suficiente para assumir: minha primavera parisiense começou.
A coragem tomou-me por inteiro, que nem sei explicar como isso ocorreu,
e lá eu fui, nos fundos do meu jardim de outono e constatei, são flores que brotam.
A felicidade, também, tomou-me por inteiro, nem sei como explicar, só sei
que me fez correr para a janela em que vejo o jardim vizinho, e ver que a névoa passara.
Estou feliz e aliviado. Consegui salvar minha florzinha. Sim, eu consegui.
Corri, então, para a janela da frente, como estaria meu broto?
E o avistei intacto.
Ai, que alívio. Finalmente, pude respirar profundamente.
Inspirei. Respirei. Não pirei, por pouco, eu sei, mas não pirei e isso é o que importa, ora.
Fora só um susto que quase tomou conta de meus anseios e desejos.
Mas espere!
E se o medo da nevasca ou do frio voltar a incomodar o início de minha primavera?
Relaxa. Inspira. Respira. Não pira. Não se estresse à toa e não tema por antecedência.
Eu sei, é difícil, pessoas ansiosas não sofrerem de véspera, é quase que arrancar seus corações.
Mas não tema, pois na primavera também há chuva.
No entanto....se a chuva for forte e destruir minhas flores?
Calma, confia em ti mesmo, confia na energia espiritual, em deus, com o tempo, as flores voltarão a crescer.
Tudo voltará ao normal, pois
terá sido apenas uma tempestade e a água, no fim, sempre seca.
Respire o ar puro de sua primavera. Aproveite-a e cultive-a em seu coração.
A primavera bem cultivada e aproveitada, se torna constante e não passa.
E só lhe deixa pronto para viver a incrível união entre a primavera e o verão parisiense.
Esse sim, você conhece muito bem. Então, viva, aproveite suas flores que brotam,
plante amor e ele brotará fazendo seu coração explodir, pois só o amor traz a felicidade,
a sabedoria, o discernimento, só o amor nos faz amar e só o amor nos faz deixar de amar
quem, por algum motivo, nos foi tirado.
 Ame. Ame. Ame.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

É tempo de bonanças.


Poseidon voltou a atacar.
As ondas voltaram a jorrar fortes
com quilômetros de altura,
provocando mais estragos.
Os corações se despedaçam mais,
só que a união entre os seres humanos, cresce.
Pode parecer esquisito ler isso,
mas dentro desse mar em tormenta,
essas palavras fazem o maior sentido.
Hoje, o terceiro dos filhos de Poseidon,
o enfrentou. Falou e não calou mais.
Esbravejou tecnologicamente,
mas tirou de si um enorme peso:
dessa vez eu tentei.
Não haverá mais quem possa dizer,
que o terceiro da linhagem do rei dos mares,
se calou e não tentou.
A rejeição, ao contrário do que ele
sonhara em ser vencida pelo dito amor
incondicional que Poseidon jurava ter pelos filhos,
não acabou. Continua mais forte.
Agora não cabe mais aos filhos, muito menos a Zeus,
cabe ao próprio dono dos mares,
das águas salgadas.
Como dizia um certo reclame comercial, de certo, adaptado por quem vos escreve:
"O tempo passa, o tempo voa, e tudo continua numa boa",
Os filhos de Poseidon, aliados a Zeus, terão de dar à porra do tempo, a desgraça do tempo,
enquanto isso não ocorre, deixe o grande deus lá, só, sem companhia,
a velhice e o desejo de estar de volta à família lhe pesarão,
e como sempre faz, dará às suas águas um certo tom de tranquilidade,
presenteando a todos, ao invés de lhes dar carinho e amor.
Essa é a forma torta, digamos assim, que ele sempre se redime.
Isso cansa, confesso-lhes, mas nem sempre temos
o que queremos em quem queremos.
É tempo, agora, de deixar a maré se acalmar,
para dar novos passeios por Londres, Atenas, Barcelona,
quem sabe. Novos rumos, novos ares, são sempre bem vindos.