terça-feira, 14 de abril de 2026
terça-feira, 30 de julho de 2024
Chá com a Morte
Mais uma vez dei de cara com a morte!
Agora, não sobre mim, mas sobre outrem.
Alguém havia ceifado a própria vida.
Era como se a morte me convidasse para mais um, de tantos, chás que já tomamos.
Era um encontro indireto, disfarçado, mas era a morte em minha frente.
Levar a alguém a notícia da morte vindoura, é quase morrer junto.
É você ver a pessoa se reduzindo à dor e, quase sempre, a uma culpa que não existe, mas a gente insiste em dizer “e se…”?
E se eu estivesse em casa, e se eu voltasse mais cedo do trabalho, e se eu ligasse pra dizer te amo, e se eu passasse mais tempo perto? São tantos “e se…”, que não há como prever e nem como interromper.
Algumas dessas partidas até podem ser evitadas, as minhas tinham como e eu evitei, só que tem outras que não há o que se fazer. Elas acontecerão, é só uma questão da primeira oportunidade, e não há como antever a prioridade de quem quer criá-la.
O chá com a morte não tinha nada a ver comigo, mas sempre que ela dar o ar de sua graça, toca em mim, num lugar de quem entende o sofrimento e o desespero para alguém decidir partir.
É com essa experiência que, hoje, não consigo ter paz, não consigo tirar as imagens da minha cabeça. É com a dor por ver a dor de quem ficou e, infelizmente, ainda não enxerga que não teve culpa, que eu tento botar a cabeça no travesseiro e luto, incansavelmente, pra tentar achar paz e poder dormir.
O sono dos justos perturbado por dar de cara com a morte outra vez
quarta-feira, 3 de abril de 2024
Ah, Banzaê! - o retorno
Banzaê dos meus pecados,
Banzaê do meu agrado.
Os dias têm sido bem menos dolorosos,
não significa dizer que são agradáveis.
Eu tenho me acostumado a viver no ermo,
no vazio, no hiato, na poyesis.
Entre o pensar e o agir, eu tenho vivido parado no tempo.
Tenho me acostumado, sim, mas ainda dói.
Minha casa tem se tornado acolhedora, sinto vontade de estar nela.
A vontade de sair, passou. Imaginar-me saindo de casa, me incomoda.
Minha casa, minha vida, meu refúgio.
Virei uma velha aposentada, só que trabalhando.
Não saiu de casa pra nada. Aliás, só pra fazer as compras do mês.
Vivo trancado naquelas paredes, só que, agora, por vontade própria.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Ah, Banzaê!
Mais de um ano na companhia de Banzaê
Foi doloroso. Muito doloroso!
Não há amor em Banzaê.
Não há.
Uma tristeza entorpece esse encontro.
Um encontro sem fim.
A partida seria o melhor? Talvez!
Caneca me salva.
Ah, Caneca! Você me mantém de pé.
Você me mantém em pé!
Que dor, que tristeza, que…
Reticências doloridas.
Caneca, se não fosse você, papai desistiria.
Ela tem me visitado, ela tem se esforçado pra me levar…
Não há amor em Banzaê. Não há!
Preciso fincar raízes, mas não há terra arada
Não há amor em Banzaê. Não há!
A quem pedir socorro?
Não há amor em Banzaê. Não há!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Não(,) há!
Os dias têm sido difícil.
São tantas horas solitário,
resumido em seis paredes,
que estou sucumbindo nessa paz mortal.
Eu entro em desespero. O que vai acontecer?
Durmo, acordo, como, engordo.
Não há vontade para nada.
Socorro!
Parece não haver expectativas
Parece não haver vida
Não há amor em Banzaê!
Não há amor em Banzaê?
Não(,) há!
Uma Caneca me salva,
Traz amor em pote de pelos
Será que falará?
Caneca não deve falar.
A língua enrola por tagarelar,
contudo não há ouvidos à espreita.
Como há de sobreviver
uma matraca calada?
Não(,) há!
Eu preciso falar.
Eu preciso gritar.
Como há de sobreviver
uma matraca calada?
Não(,) há!
Os dias passam lentamente, o ar me falta.
Puxo. Nada!
A memória falha, o vinil arranhado,
um rodopio sem parar.
Como há de sobreviver,
uma matraca calada?
Não(,) há!
As possibilidades se esgotam aos poucos,
não há amor em Banzaê?
Não(,) há!
segunda-feira, 22 de junho de 2020
De dominar gente e coisas,
E que não sente a obsessão
De estar perdido no seu ego.
A dança exige o homem livre e aberto
Vibrando na harmonia de todas as forças.
Ó homem, ó mulher aprenda dançar
Senão os anjos no céu
Não saberão o que fazer contigo
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
I will survive, literalmente (!)? - 2
Que a dor, não sufoque o grito.
Que a asfixia, não estrangule o amor.
Que ser, não seja proibido.
É proibido proibir!
Que a resistência não sucumba ao fel.
Que indiferença não pode a mente.
Que a intolerância não destroce a esperança.
Que a esperança não seja a primeira a matar.
E que não seja a última a morrer.
É proibido proibir!
Que o desespero não encontro terra fértil.
Que a terra seque para o pânico.
Que lutar represente a força.
Que a força não se contraia no medo.
Que a garganta não feche pela repressão.
Que não se mate pela incapacidade.
Que a inclusão não seja excluída.
É proibido proibir!
Que o eu não seja silenciado.
Que o lírico cresça o eu.
Que o gênero seja união.
Que a sexualidade seja livre.
Que o respeito seja mais importante que crenças.
Que a religião não seja lugar de poder.
É proibido proibir!
Que o pé seja a rotina da dança, não arma de fuga.
Que o estômago seja só para ser alimentado, não objeto de ânsia.
Que o coração seja o símbolo das emoções.
Que neurônios façam sinapses por alegrias.
Que o cérebro se encha de compaixão.
Que você acolha os eus.
Que os eus sejam acolhidos por vocês.
É proibido proibir!
Que educar seja ato de amor.
Que a educação seja ato politizado.
Que lecionar seja ação transformadora.
Que o prefixo "trans" não seja repelido.
Que "trans" seja mudança na formação.
Que artistas produzam Arte.
Que professores sejam acolhidos.
Que famílias orgulhem-se de professores.
É proibido proibir!
Que o amor vença.
Que a dor seja só de topadas.
Que a angústia seja pelo final da novela.
Que a ansiedade seja para comer o hambúrguer.
Que a respiração seja tranquila.
Que ser seja esplendoroso.
Que a esperança seja a esperança da luta.
Que eu sobreviva à dor.
I will survive, literalmente!
I will surviver, literalmente(!)?
Já tive crise de pânico, outras vezes.
Cheio de pontos, mesmo.
Porque a cada frase finalizada, é uma morte aproximada.
Prostituição, sexualidade e gênero, são temas sempre problemáticos.
Mas você precisa mencioná-los, junto à violência contra mulher,
o machismo, feminicídio e outros,
pois a BNCC determina-os como temas transversais.
Dentro dos seus conteúdos, você precisa abordá-los,
como forma de transformação social.
O prefixo "trans" causa tanto incômodo,
só por significar mudança.
Uma sociedade fóbica só por um prefixo.
O negócio é que ele representa pessoas, comunidade excluída,
marginalizada e assassinada.
Ele representa uma expectativa de vida de 35 anos,
de uma população que é tão abusada pela família brasileira.
Discretamente, eu fui podado.
O problema é que discrição não é comigo.
Não admito essa palavra, não sou discreto,
já saí do armário.
Na real, o meu sempre esteve escancarado,
mas quebrei suas portas.
Sou professor e reconheço a importância
social e moral da minha profissão.
Não admito ser podado,
quando tento desconstruir heranças fóbicas.
O papel da Arte é criticar e desconstruir sociedades,
para fazê-las enxergar que não há porquê
de fobias, e, então, fazer seres conscientes de si e dxs demais.
Pode parecer, a muitos, algo simples e que não
precisa se deixar ser tão afetado,
mas a coisa velada, dói tanto quanto a escancarada.
Entendo que todas as outras coisas que
rodeiam minha cinesfera, são tão pavorosas,
além de um cansaço extremo e sufocante,
por um final de ano letivo que não chega ao fim.
Acabei de lembrar. É um desejo pelo fim de 2019.
O pior dos últimos piores. Precisa findar.
A esperança precisa se instalar,
mesmo que seja a primeira a matar.
Não consigo usar metáforas.
Saudades da minha época metafórica.
A ingenuidade acabou, quando floresceu a pancadaria adulta.
Preciso registrar, diretamente, cada respiração ofegante,
cada sensação de falta de ar, de pressão torácica.
(o que anunciava um desenrolar de lágrimas, está oco)
A dança reconecta meu instinto com meu ser.
Preciso dançar.
domingo, 10 de novembro de 2019
Wannabe
sexta-feira, 5 de julho de 2019
É como se fosse vídeo chamada, sabe?
Eles se vêm claramente, conversam entre si, o estômago aperta.
Os dias estão tensos, dolorosos.
O sorriso disfarça bem, afinal, para alguma coisa a formação em teatro tem de servir.
Só que no ambiente isolado, o maremoto desbrava o labirinto cerebral,
as rosas murcham, as folhas secam dentro dos livros, o café acaba.
Os cabelos crescem, mas a irritação das horas faz com que caiam.
Está angustiante!
Queria ter 1/10 de sua coragem, sabe? Você inspira, você me inspira,
mas como minha ansiedade e o medo estão bem amigáveis, eu desisto.
Está duro, doloroso.
As ideações não têm me perseguido, por enquanto.
No entretanto, o sol não há de sorrir.
segunda-feira, 11 de março de 2019
"Não tenho pré-conceito, mas...", pode parar por aí.
"Mas" é conjunção adversativa, portanto, expressa ideia oposta à afirmação anterior.
Se você usa conjunção adversativa para falar sobre alguém,
você tem pré-conceito contra ao que a pessoa é.
É difícil entender que amor não tem gênero?
Difícil entender que amor não tem cor de pele?
Difícil de entender que respeito deve ser sua principal característica?
É mesmo complicado de entender que se você não aceita, é a sua obrigação respeitar?
O que vai mudar na sua vida, ao saber com quem seu filho dorme, com quem sua vizinha vai pra cama?
Se a sua preocupação deve ser a de saber se que se eles estão felizes e bens, isso é o que mais importa.
O que vai mudar na sua vida, se a população negra alcançar melhores condições de vida?
O que vai mudar na sua vida, se uma faxineira consegue viajar nas férias?
Qual a dificuldade em entender que todos temos direitos iguais, perante à Constituição, e que o acesso as esses direitos deve ser de maneira equivalente para todos?
Que espécie de doença você tem ao acreditar que um LGBTQ+, que um indígena, um negro, uma mulher, um paciente da saúde mental ter as mesmas condições de vida que as suas?
Porque não aceitar que somos todos iguais?
Se seu deus disse que somos todos irmãos, que somos todos iguais perante à sua religiosidade cristã, que devemos pregar o amor ao próximo e à próxima, porque você insistir em só pensar em si?
Porque culpar mulheres vítimas de assédio, abuso, estupro? Como você pode achar que a vítima é a culpada?
Como você consegue achar que uma idosa de 101 anos, que não anda e nem fala, é culpada por permitir que seu genro a estuprasse?
Como você aceita retirar a educação sexual das escolas, sabendo que com acesso à informação, milhares de crianças podem se sentir seguras e denunciarem seus abusadores?
Como ser à favor da vida, e querer que uma menina de 11 anos, estuprada pelo avô, tenha de ser obrigada à parir essa criança, e ignorar a dor dela?
Que espécie de ser humano monstruoso/monstruosa é você?
Por favor, pare, pense!
Lembre-se, amanhã você pode ser a vítima!
domingo, 2 de setembro de 2018
Há mais de 30 dias, eu não vivo.
A ansiedade me consome, me destrói.
Aliás, há mais de um ano, ela me persegue.
Acaba meus dias, engorda meu corpo.
Viver naquela oscilação entre exercer o que se ama,
mas com prazo de validade a expirar... não é vida, é sobrevida.
Estou cansado de existir. A existência me dilacera, a vida para.
Eu não sei ser metade, mas essa metade não se completa.
Dói a falta de completude. Ideações me perseguem!
A solidão tem me afundado.
Mas como? Eu sou só, mas não sou só isso.
A tenho bem resolvida, mas a falta de um porto, naufraga.
Estou sem porto, estou sem âncora.
Onde estás? Quem sois? Volta!
Lá do fundo, ouço meus gritos, ouço meus apelos.
Gritos me chamam, apelos me imploram.
Estou surdo!
A densidade da água ensurdece, o silêncio é ensurdecedor.
Grito! Não há quem ouça, não há como me ouvir. Não me ouço!
Ansiedade que tanto persiste, acalme-se, por favor! Necessito viver!
Ouço as bolhas de ar papocarem nesse profundo rio interior.
Falta-me ar! Falta-me oxigênio.
Queria ser um peixe. Sou um possível fracasso? Talvez!
Hoje, não me há esperanças. Amanhã? Quem sabe!
Avisto terreno arenoso submerso em mim.
Tenho chegado ao fundo. Por hoje, desisto.
Hora de descansar!
quarta-feira, 7 de março de 2018
certa feita me falaram.
Sou só, não sou só isso, e sou um.
Apenas, um!
Moinho que gira hélices,
um grão empurrado pela ventania,
um.
A solidão solitariamente povoada
e pública publica, com rajadas de oxigênio,
a busca incessante por tal elemento químico
que persiste a faltar-me nessa deliciosa dança,
que há, em cada homem, dois bailarinos.
O direito e o esquerdo.
Solidão tão povoada de sós,
que energiza as raízes fincadas,
em solo arenoso invadido por ventos
ventados que escoam pelos dedos dos mesmos moinhos.
Ah, como é bom ser só, ter a vida só,
pois a companhia alheia soma-se e
à sua solidão solitária sozinha repovoada,
mantém-se só ao teu lado, numa eletrizante alta tensão.
(Foto: Fotografia UFS)
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Moinhos ao vento
e isolados na imensidão de areias desérticas.
pois meu corpo é fumaça que se esvai no ar.
domingo, 10 de abril de 2016
Fragmentos de um ser anônimo de outro estranho.
Desde terça, eu não tomo mais remédios.
Aliás, levo apenas da faixa preta.
Passei da faixa vermelha.
Um ano e meio depois, a linha,
que antes era tênue, inclina-se
e o final, que aparenta ser em breve, é sem fim.
Há uma inacreditável vontade de sair.
Há uma absurda culpa em partir.
Já partiram, algumas. E delas, a dor da ausência chegou.
Partiu outro. Mas dele, quase 9 meses depois,
o cérebro perpetua em não crer na saída.
Há diversos conflitos, entre o fim e tudo que fomos vividos.
Mente que ainda insiste em querê-lo. Em querê-lo perto.
Mas sabe que a insistência parte da necessidade de ter um porto.
De ter seguro em mim, quem aceite dividir, jamais, solucionar.
Dentro de uma tempestade, não dá para enxergar a bonança.
Às vezes, quem está ao seu lado, e de fora, é quem enxerga.
Faz falta ter quem enxergue e te fale que a bonança chegará.
Não é falta de amor próprio. Não!
Isso a ciência psicoterapêutica, me garante.
Mesmo que a garantia seja em sua ausência.
Tantas ausências sentidas, doídas, e perdi luta com a faixa vermelha.
Nessa luta, nesse tatame, não foi eu quem ganhou.
A preta já entrou no ringue.
Só que a vermelha não permite a revanche.
E há a raiva que nisso se propaga. Instala-se, finca-se!
Raiva. Raiva. Raiva e, mais raiva.
Dolorosa raiva. Dolorida carne.
Carne arrancada por uma, três, duas, três, uma partidas.
Um local seguro, do qual não desfruto mais.
E hoje, onde aporto, são nas entranhas do meu corpo.
Onde me resguardo.
Onde te enfrento.
Onde te ataco.
Onde te mato.
No hemisfério direito da delicadeza de puras emoções,
sorrisos simpáticos, olhares profundos, pensamentos uivantes.
Meu corpo é fumaça que se esvai no ar.
Antes que eu morra,
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Havia esquecido o alívio da escrita.

