sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"Pela a nossa regra, a gente era obrigado a ser feliz
Vem, me dê a mão, a gente já não tinha medo,
no tempo da maldade, acho que a gente não tinha nascido"
João e Maria, de seu Chico, têm me povoado em meio ao meu verão em Paris.
Ah, Paris, que saudades dos seus raios de sol,
raios esses, tão fortes, viscerais, que adentram as minhas janelas,
e esquentam meu corpo, fazendo brotar um pouco de mim a cada raiar do dia.
Nosso outono foi maravilhoso, melhor, chega a ser inesquecível, Paris,
mas agora não há mais o medo de dias tão frios quanto aqueles.
Sabemos que eles, por um acaso das horas, poderão e voltarão,
mas, a beleza do nosso verão, não será apagada pelo frio passado.
Afinal, minha cara, todo frio sempre é diferente. É único. Os novos trarão outras coisas,
e os passados, manterão as antigas mais vivas, para que não esqueçamos a sua dor e a sua beleza.
Tenho sentido tanto a sua falta, mas Veneza nos povoa, nos envolve,
nos faz estarmos em nossas lembranças. E que lembranças belas, concorda?!
Lembro bastante delas, às vezes, até parece que elas não saem de mim,
mas ao te ver, minha cara amiga, o seu verão penetra em minha carne,
o seu verão estremece meus poros, o seu verão convida-me a belos dias solares.
Perdoe-me ter de estar em Veneza, por favor.
Espero que esteja aprendendo a conviver, também, com a nossa distância física.
Já conversamos muito, e você, sempre, mantém a sua palavra de compreender-me.
E eu mantenho a minha eterna gratidão, minha amiga.
Embora a culpa de tê-la deixado, seja recorrente.
Nossa relação é forte, não há nenhum canal mal cheiroso daquelas terras, que nos afastará.
Sabemos disso!
Você é uma amiga tão amada, tão companheira, tão presente...
...só tenho a agradecer por não desistires de mim.
Passamos lindos dias juntos. Em breve retornarei aos teus braços, meu bem.
Esteja em paz, cuide-se, minha amiga. Nos vemos logo, logo.
Au revoir! Je t'aime, Paris.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Deixei Paris.
Estou em Veneza.
Paris, na verdade, não foi deixada. Apenas, ela vive em mim.
Vezena me irrita. Suja, caótica, bagunçada, um porre.
Não sinto saudades de lá.
Mal cheiro terrível, águas imundas, mas, com aquele velho teor de romantismo no ar.
Ah...e é esse romantismo que me agarra, me sufoca, me instiga, me faz ser, viver.
Pois, eu sou feito de amor.
Já que não sei ser metade.
Veneza. Veneza. Veneza.
Como não te odiar?
Como te amar?
Paris, estou voltando.

domingo, 15 de junho de 2014

"Busquei vocês no mundo,
busquei vocês no fundo,
um amor pra me embalar..."
É mais ou menos o que diz a cantora Daniela Mercury
em seu ultimo álbum, "Canibália".
Diz ela também, em outro de seus álbuns,
"Ballet Mulato", que
"as coisas um dia perdem a validade,
(..) a máquina desliga, a tinta solta,
o espelho um dia perde a vaidade.
(...) o tempo corre, a rosa morre,
(..) a dor sobrepuja a felicidade,
(...) a barriga cresce, a maçã perece,
nem tudo funciona de verdade(...)"
Foram nove anos. Foram 24 meses,
em que nem tudo funcionava de verdade.
O espelho perdeu a vaidade, a barriga cresceu,
a maçã pereceu com a dor que sobrepujou a felicidade.
E eis que busquei vocês no mundo, no fundo,
um amor pra me embalar.
Vocês: eu e você que me constitui e havia esquecido disso.
Um amor, o amor que nos embala.
Dias e mais dias, a perder de vista, sendo metade.
Eu não sei ser metade!
Mas de metade tenho vivido, vinha vivendo.
Metade a ser inteira, e de um inteiro a ser arrancado de mim,
em que a dor sentida não mais sobrepuja a felicidade.
A dor desse parir, é dor gerando felicidade.
É dor necessária a se viver, essencial de se viver.
Não burle seu desejo por fantasmas que não se desinstalaram de ti.
Se você quer, você arranja tempo, dinheiro e até vida para [se] construir-se.
Pare de medo, perca o receio, e faça. E se queres há tempos,
algo que seja fundamental a ti, faças ainda mais de verdade.
Pare de boicotar sua vida!
Ora, ora, ora. Quanto auto boicote.
Mas não havia existência para se boicotar.
O boicote partia de desfazer o ser, estar e permanecer e agir.
E o viver se esvai como a água corrente da torneira mais próxima.
Nove anos, vinte e quatro meses, e dezessete que serviram para construir.
Construir o princípio, que tornou-se metade, e que berra a ser inteira.



EU NÃO SEI SER METADE!!!
(leia-se essa frase com bastante ênfase,
embora não torne isto mais importante que o ser inteiro)



Não desista de si, como desisti de mim por 9 anos.
Não que meus medos tenham se findado. Não.

Não mesmo. Ainda existem aos montes.
Mas foi meu primeiro passo pra poder viver o que queria,
o primeiro passo para ser.
(respire e conte até dez)
Não, não sabem. Não há porque comentar.
Sim, há! Mas não sabem de início. Há de se descobrir.
Boicotar. Verbo no infinitivo, primeira conjugação.
Palavra verbalizada que tira do sério, e instaura o pânico.
Palavra verbalizada acompanhada de um suntuoso e formidável...medo.
O mais fácil é recorrer à inércia. Não recorra, corra.
Os dois anos que sucederam a pouco,
foi o tempo suficiente para ir e voltar,
para ser metade e da metade tornar-se um inteiro gerando-se.
Uma culpa gerada e bipartida, e todos com sua parcela dela.
Culpa essa que serviu somente para esvair, findar com toda coragem.
Culpa que dela tornou-se a coragem,
e brotou força de onde não havia mais,
culpa que fez da metade o inteiro.
E é desse inteiro que inteira a força para cada manhã,
a certeza de que apesar de tudo,
as coisas são diferentes,
e o antes jamais deixou que o futuro
se fizesse apenas sonhado.
O antes não empata de haver hoje,
o antes permite que hoje não seja mais como se foi,
mas que hoje seja a junção do presente e do futuro,
unindo-se em busca de uma harmonia a ser vivida e desfrutada.
Afinal, eu não sei ser metade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eu não sei ser metade.
Mas dessa metade
que se é reconstruído o todo.
Um todo no novo, um novo em todo.
Há nove anos, há 17 meses,
Fui, fomos, me torno, sou,
deixamos, partimos, parto.
De Gonçalves, a ouvidores,
do gago da Riachuelo, entre largos suíços, os arcos da Gonçalo.
Eu, eu meio, eu inteiro, evaporo.
Evaporando de um jogo de xadrez, um xeque-mate.
Um tabuleiro da baiana, entre ladeiras e morros.
Ganzás e chic chic booms.
Caróis, Brabecs,  Mays, Laras, Daniellas e Marcelas,
Mileises, Byrons, eus.
Consequências, escolhas, renúncias, resultados.
Inteiros partidos, inteiro na metade.
Há quem vai, há quem foi, há quem desista, há as travas.
Venci, criei outras, as vencerei.
Uma ida, uma metade descontruída, uma metade erguida.
Seres, amores, exitências, vida.
E da metade se brota a árvore da garra, da crença, da certeza.

Da metade, me torno inteiro.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Lut(and)o

Mais uma novela, mais um luto,
mais uma persona taxada de louca.
Antes um 'César', agora uma 'Branca'.
É curioso, irônico, diria eu, sarcástico,
cruel, na verdade, doloroso,
quando nos identificamos com o sentimento
do próximo, mesmo quando esse próximo
seja apenas uma persona fantasiosa,
criada por um período de algumas horas,
ou por alguns meses, televisionada em rede nacional.
Só que o mais terrível de tudo isso,
é ver o quanto as pessoas são intolerantes
com o luto alheio. Esquecendo elas,
que esse sentimento é passível a todos, inclusive às próprias.
Somos taxados de loucos por vivermos nossa triteza,
ridículos por sofrermos um sentimento necessário
à uma libertação tão desejada e bastante penosa.
O luto é vivido em 5 partes:
a negação; a raiva; a negociação; a depressão e a aceitação.
Se há 5 etapas, sendo que cada ser humano leva seu tempo
para vivê-las, porque crucificar alguém por seu sofrimento?
Lembre-se, amanhã pode ser você a viver o luto.
Não condene, não ataque, não desmereça, não disfaça
de quem sofre seu luto. Não é uma fase fácil de se viver.
Viver o luto é bem len...to.
Apenas compreenda, aceite. Se não quer ver o sofrimento alheio, afaste-se.
Mais vale pessoas afastadas, do que uma reunião delas nos atacando.
O luto é dos Césares, das Brancas, dos Ricardos, das Carolinas,
das Vivians, Vivianes, Marias, Joãos, Mários, Izabelas, Izabéis, Caróis,
Carlas, Marcos, seu, meu, dela, de todos.
Há quem viva mais intensamente, há que disfarce o seu,
há aqueles que se curem logo, há os que jmais se curarão, enfim.
Sofrer não é loucura, afinal há quem opte por sofrer, para se refazer.
Respeite o luto alheio

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Que a tristeza humana não levante falso testemunho.
Que a dor humana não agrida o próximo.
Que o amor ferido não seja o motivo de um genocídio.
Que o acalanto acalme as almas e os corações alados.
Que o sentir não destrate quem ousa abrir seu sofrimento,
e se mostra frágil a quem confia e acredita que nessa confiança
se pode crer em afago e compaixão pelo próximo,
mas que dele só vem espinhos hesitantes e perfurantes.
Que o direito em sentir dor, não perfure e destroce o próximo,
que um dia jurara amor eterno e que por um sofrimento,
não pode comparecer à essa eternidade.
Mas quem sois vós a julgar? Ninguém!
Cada um fere e é ferido em seus amores.
Jurei não falar de amores, mas o amor dói e precisa ser dito.
O luto é BEM len...to
e essa lentidão mata cada célula de seu corpo.
Te falta ar, a ultima molécula de oxigênio
foge do teu alcance, desaparece no clarão
do sol a pino do deserto que seca tua boca,
desgasta minha garganta, craquela meu interior.
Uma lentidão, uma calmaria, um segundo que morre,
outro que arranca um suspiro, o ultimo suspiro, o que estraçalha.
O gás carbônico começa a dissipar,
em Paris só resta uma forte chuva ácida,
as nuvens devem cessar, a dor deve findar,
a vida, fincar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Afirmei não falar de amores.
Mas percebo que de amor vive-se,
respira-se, deseja-se, se quer, fala-se.
Hoje eu falo, anuncio, grito, berro,
choro, esbravejo, sinto.
Um amor tão intenso, com todos
os rumos prontos para o sucesso,
beirando a incerteza, o medo,
de um passado cheio de tortos caminhos,
impedindo o sucesso de um sentimento
forte, agora seguro, a postos,
no entanto, cheio de teias escuras
de um inconsciente velocista e atroz.
Um futuro que só se faz presente,
no máximo, ao amanhã, que esbarra
nos ontens, que não se fazem os depois.
Difícil aceitar isso. Bastante doloroso isso.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014





De tantos óbitos por aspiração de gás carbônico,
máscaras de oxigênio já não resultam em salvamento.
Paris está um caos.
Seus transeuntes correm de um lado a outro.
São inúmeros caminhos como opções a seguir,
mas nenhum deles os leva à salvação.
http://paris.parsons.edu/wp-content/uploads/2013/02/FRANCE-PARIS-Directional-Signs-copy1_50.jpg
Não há saídas para o caos instalado.
Ou ao menos, não parece ter saídas.
Parisienses tentam, lutam, correm, mas não as enxergam.
Onde estarão as saídas? Onde estarão os caminhos?
Onde estará a salvação da bela e tranquila Paris?
A única forma, aparente, de não vir a óbito,
deve ser tentar captar a última molécula de oxigênio
que ainda pode restar no ar dessa cidade.
Saudades da Paris tranquila e solitária.

Paris está tão atordoada,
com um emarenhado de pessoas,
com idas e vindas, subidas e descidas,
oscilações e transformações
que palpitam os seres tranquilos e
estão em uma órbita externa à dela.
É tanta gente, são tantas pessoas
que resolveram desembarcar por cá,
que, de repente, passaram-se
haver congestionamentos sanguíneos,
corpóreos, emocionais, lacrimais,
sudoreses, enfim, até mesmo os transitais.
É tanta liberação de gás carbônico de uma vez só,
que a concentração do mesmo
extrapolou o limite esperado para todo o ano.
O gás letal, à saúde humana parisiense,
tem sido exalado tão fortemente e tão concentrado,
que adentrada os alvéolos humanos,
gerando a mortandade dos pulmões de quem ainda
tinha uma breve esperança de viver.
O resultado é uma terrível sensação e certeza
de sufocar aos poucos, ou pior, sufocar rapidamente,
com acréscimo repentino de angústia,
que vai atacando os demais órgãos humanos,
causando o desespero cerebral, levando a óbito.
A asfixia é a pior morte.
Você toma consciência da falência múltipla de seus órgãos,
do quanto cada parte de ti vai parando, lentamente,
de obedecer aos seus comandos,
ao passo que tudo acontece de maneira rápida,
o ar vai te faltando instantaneamente,
ele se vai de segundo a segundo,
como se o tempo nunca terminasse.
Paris está morrendo sufocada. Chega de turistas!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vai, volta, sobe, desce.
Um iôiô perâmbula por uma corda
inconstante que treme a cada lançamento
e que tenta se estabelecer a cada recuperação.
Queda e recperação: dois princípios.
Princípios de lançamento e retorno;
de desconstrução e (re)construção.
A estrada percorrida acelera seu caminho
como uma esteira rolante desenfreada,
o ar me falta, o fôlego acaba, os pulmões secam.
O sangue escurecem, as células apodrecem,
a carne putrefa, sobram os ossos, os sentimentos atordoam,
explodem, distorcem, distoam, acabam.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Que frio.
As coisas estão gélidas. Os corrimões queimam a epiderme.
A torre nunca esteve tão inóspita, mesmo com pessoas caindo aos montes,
devido à sua lotação está máxima.
Na verdade, a torre nunca esteve tão...
... desencantada. Ela nunca esteve tão distante dos meus olhos, de mim.
 Na verdade, Paris perdeu a graça.
Sim, isso é verdade. Por mais estranho que possa soar, não há mais graça em Paris.
É tanto frio num sol a pino, que sufoca minhas células, ao passo que elas tentam respirar.
E eu começo a necrosar. Putrefarei. Não, decomponho.
Arranco as células que decretaram suas mortes, a fim de deixar que as próximas nasçam com vidas, mas não adianta.
As segundas, já estão necrosadas, devido às primeiras. Assim acontecem com as terceiras, devido às segundas; com as quartas, pelas terceiras e assim as horas se esvaem, minha carne brota, aquele liquido vermelho, escurece e tudo começa a apodrecer.
Justamente a torre, aquela torre que me prometia dias felizes, hoje, é o que mais faz com que me sinta só, triste, destruído.
Sinto-me longe da Paris tão amada, desejada e que um dia já me fez feliz. Ao subir no segundo andar da torre, a solidão é tão intensa, que o terceiro me causa morte súbita.
O medo de chegar às grades faz-me ficar parado ao fundo, quase preso, entrelaçado naquele emaranhado de aço soldado.
Eu olho à frente e as coisas, pessoas, prédios, seres, cada vez ficam mais longe. É como se eu entrasse em um túnel, em um buraco negro, sei lá, e, segundo a segundo, eu me afundasse nele.
O ponto de fuga fugindo de minhas mãos, deixando de ser palpável, de ser visível, concreto, viável, findável.
Eu grito, peço ajuda, não escutam, eu não escuto. O silêncio paira e me ensurdece.
Meus braços se tornam galhos, meus pés, raízes, minha voz, seiva bruta, queria elaborada. Tudo me trava.
Começo a percorrer meu corpo com minhas mãos, tento despertar meu tato, meus tecidos, células, órgãos, organismo, mas nada reage. Tudo foi decomposto, morto, apodrecido.
Nada sai, o temor, o medo, a dor, a tristeza, tudo, entra. Tudo me corrói. Não consigo entender o que se passa.
O que acontece em mim, que empata minha reação. Tudo está em mim, a vontade, o desejo, a coragem, o ímpeto, o clamor, o fogo do grito da liberdade, mas quando a porta do calabouço está a um passo de explodir, tamanhas são as rachaduras que minhas unhas provocam, o vácuo me suga, o buraco negro, o túnel me engole.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estou chocado, perplexo!
Paris nunca esteve tão à flor da pele, como hoje.
Foi um dia intenso, haviam mais pessoas, do que o normal. Uma correria absurda.
Movimento intenso, emoções intensas. ///
Ah! // Suspiros não foram suficientes para controlarem
minha surpresa, por tamanha correria alheia,
enquanto eu estava no fronte de batalha,
perdido entre balas, tanques e seres humanos
sendo lançados de um lado para o outro.

Enquanto tentava driblar tudo que passava em meio a mim,
a única coisa que pensei foi em me abaixar, pois se estás na guerra,
deitar-se ao chão, talvez fosse a melhor escolha para tentar evitar de ser atingido.
Hoje, com a cidade mais calma, comigo mais calmo,
não sei bem se foi a melhor opção, mas foi a que menos me causou prejuízo.
Não enfrentei, não fugi, não retruquei, apenas me abaixei e
permitir que todas as munições cruzassem umas as outras,
e não me atingissem senão, de raspão. Ora, os ferimentos seriam e foram os menores.
Foi em Paris que encontrei meu refúgio, foi aqui que me curei, foi aqui que voltei a viver.
Pensei que seria mais fácil de ser entendido pelos seres que me acompanhavam até então.
Enganei-me feio. Frustrei-me. Mas, agora, fiz um peeling de diamante e as rugas de preocupação se foram.
Deu para perceber, não é?!
Se quem dizia ser meu amigo, não quis entender meu refúgio, amigo meu nunca foi.
O engraçado é que todos eles já sofreram pelo mesmo motivo que eu, e na época, quiseram o apoio
dos mais próximos, eu, era um deles, e dei todo apoio incondicional.
Já a mim, foi negado, lavaram-se as mãos.
É! É a velha história do sempre venha nós, e nada ao vosso reino.
Talvez porque, ou, se sentissem angustiados por me verem na situação em que estive e não soubessem o que fazer, porém vale informar que eu dei diversas dicas de como me ajudar e deixei bastante claro, que eu estava sofrendo, minha forma de sofrer era essa, eu não fingiria estar tudo bem, só pra ser aceito socialmente, e que meu sofrimento deveria e valia, sim, ser sentido, não pelo próximo, mas por mim, por minha causa, por necessitar disso, por precisar morrer, para reviver.
Ou talvez, porque as pessoas não saibam mais lidar com as outras, quem sabe até, muito menos com as que expõem seus sentimentos, haja vista a sociedade fria e mórbida em que vivemos. Muito provavelmente poderia ter sido pelo fato de que me ver sofrer pelo que sentia, fizesse com que elas se identificassem com minha dor, pois já sentiram também, e relembrá-las de como ficaram, as fazia mal. Ou talvez qualquer motivo, além desses, ou que não tivesse nada a ver com esses.
O importante a frisar é que jamais lavei minha mãos para eles, jamais os julguei de errados ou certos por terem lavado-as para mim, ou pela forma em sofreram pelo mesmo motivo, frustrei-me, sim, me entristeci, sim, eram meus amigos, e pude reparar que só carregavam esse título, quando eu estava feliz, engraçado e divertido.
Só lastimo por eles, por não saberem lidar com sentimentos, pois se não sabem com os dos outros, muito menos saberão com os deles. A fragilidade é interna, a grosseria e a recusa dela, externas.
Além disso, nunca os julguei de certos ou errados, perante os meus conceitos, os tenho, mas os guardo para mim. Declaro, apenas, minha tristeza, no entanto, tento justificar as atitudes deles, eu sou relativista mesmo. Dá nisso! Só que fui julgado de errado e de tudo mais, por meu isolamento, pelo modo em que eu funciono, por precisar sofrer, para me sentir bem, (você já deve ter se tocado sobre qual mito refiro-me a mim mesmo), eu fui julgado, escrachado, desvirtuado, abandonado, por não seguir um sentimento frio e social.
Desculpem-me, meu inverno foi rigoroso demais, estando sempre em busca do verão parisiense que começo a viver, para me tornar frio e gélido, constantemente, somente para ser aceito como uma pessoa atrativa. Eu atraiu e vou atrair a quem quer que seja, pelas minhas virtudes, meus defeitos - os quais procuro sempre assumi-los e gerar minha própria evolução-, seja pela minha alegria, e, principalmente, seja pela minha tristeza. Eu sou assim e continuarei sendo. As alterações serão apenas as com cunho evolutivo, pois o primeiro passo para elas, eu já dei há muito tempo: reconhecer meus erros, pensar em todos os lados de uma mesma situação, me colocar no lugar do próximo, antes de julgá-lo. Já os demais, só tenho a desejar que repensem seus conceitos. O ser humano evolui, também, e, principalmente, pela revisão e reconstrução deles.

Eu, hoje, vivo os primeiros dias do meu verão em Paris. Um verão vistoso e bastante florido. Um verão em que tenho descoberto ser a minha melhor companhia, o meu melhor amor, o meu melhor companheiro.
Sim, tenho amigos, alguns se foram, desde que me mudei para cá, mas outros sempre vêem me visitar, e os novos desembarcaram a pouco e fui recebê-los no saguão do aeroporto, no cais do porto, na sala de desembarque rodoviário e ferroviário, enfim, de todos os lugares de que eles vierem, sejam os novos, os antigos, todos serão bem recebidos por mim e, o mais importante, todos vibram por mim, por minhas conquistas.
Eu sei, sim, eu sei que colhemos o que plantamos. Mas há sempre uma nova oportunidade de plantar, e outra, de colher. Eu tenho plantado novos ramos, e os brotos já começam a desabrochar e a hora da colheita chegará, logo mais. Por mais que "quem já perdeu a esperança, não tem medo de se desesperar"*, diria Medeia de "Saluba.Medeia", porém, "Os começos são bons, os finais, tristes, mas são os meios que contam mais. Quando estiver no começo, é só deixar o carro da esperança passar, que o resto virá", diria Burdh, de "Quando o amor acontece". Ambas têm total sentido, mas, eu não perdi as minhas esperanças, portanto, não perca as suas, não percamos as nossas.
Paris, hoje, está calma, tranquila, o fronte findou-se, as lembranças da guerra, se esvaem com o passar das horas. As esperanças não foram perdidas, percebe?
O glamour, o poder, a sabedoria e  discernimento, também!
Agora, é hora de abrir a janela da frente e voltar a regar meu broto e observá-lo crescer e dar folhas e frutos bem vistosos e saborosos. Vai, rega o teu! Bom desempenho. Contudo, para que ele cresça a cada dia mais bonito, lembre-se, ame, ame, ame.


* JUNIOR, Celso. Saluba.Medeia, 2013.

sábado, 10 de agosto de 2013

O sol estilhaça os vidros da minha janela,
mas o vento sopra bem frio.
Outro fim, mais um começo.
Isso as vezes até parece cansar,
porém, a única esperança que fica é:
amanhã há de ser um novo dia,
ou melhor, hoje tem de ser um novo dia.
Mas como? Complicado de se responder.
Hoje, Paris ficou um pouco de lado.
Viver lá é fabuloso, mas hoje, talvez, somente hoje,
ou não, quem sabe, as comparações ficam de lado,
a realidade, sem mais ser fantasiosamente vistosa,
tem de ser vivida. E estou a vivê-la.
As comparações param por aqui,
as metáforas também, por mais redundante que isso
possa, e até mesmo, seja.
Estou triste, em meio a um dia lindo, de sol e céu aberto,
mas com uma ventania que gela até meu cérebro.
O processo inicia-se mais uma vez,
só que dessa, embora meio duvidosa,
nos traz "aquela" certeza de que há vida após a dor.
Hoje não há imagens, não há momentos de euforia, não há nada.
Há, na verdade. O agradecimento por mais um dia vivo,
por mais um dia de dor que trará um aprendizado,
por mais um dia em que não desisti,
por mais um dia que tento ser e fazer diferente.
Talvez não seja ou nem consiga, mas ainda há esperança.
Ora, ela deve sempre existir. Se necessito do amor para ser e viver,
ter esperança em mim, é um gesto de amor próprio, ou seja,
talvez, um dia, isso me faça estar no lucro, quem sabe.
Bem lá de longe, o verde toma conta da minha visão.
Mais uma representação de que pode e há vida à frente.
Porque desistir? Não há motivos. Sim, há.
Necessito do amor para viver, e eu o tenho.
E dele me faço e sou triste, e por ele, me faço e sou feliz.
Abandonar os sonhos, ou refazê-los a partir de si,
e não mais unido a outro, não é fácil, mas me disseram ser possível.
Porque não acreditar? Porque, como diriam os leigos,
"o buraco é mais embaixo", e nesse caso, a relação entre
sua luta e o amor que tens e deves deixar de ter, torna a situação mais séria,
mais grave, mais, diria eu, ferrada.
Mas o vento é frio, que congela o novo, talvez, até, nos tirando a vontade de vivê-lo,
porém, o calor que emana lá daquela estrela maior, o sol ou do seu deus, sei lá,
aquece o gelo e, bem devagar, derrete-o. O sangue volta a circular,
pulsa, ferve, dá vida, dá amor a si e ao próximo, dá amor à vida.
Então, sigamos em direção ao verde, à esperança, sigamos em nossa direção.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Dias nublados de primavera.


Que frio sinto em plena primavera parisiense.
És o segundo dia nublado em Paris.
As flores perderam o brilho de suas cores,
algumas até aparentam estar congeladas,
tamanho o frio que tem assolado a cidade, a minha cidade.
Dias de outono, em plena primavera? Isso é confuso.
"Chorei, chorei, chorei, até ficar com dó de mim,
me tranquei no camarim, tomei um calmante, excitante...",
como certa vez escreveu o poeta tal expressão imortalizada.
O céu nublado transfigurou uma eterna noite ao meu redor.
Tudo estava escuro. As horas passavam, passavam, passavam...
e eu ali, estático, imóvel. O novo paralisa, nos deixa estáticos, talvez até nos tire a coragem de encara-lo.








A velha que vivia a fiar, na estória da Bela Adormecida, me apareceu tão singela,
querida, boa, simpática, desejando que convivêssemos em paz, que pensei: Estranha atitude. Ela pensa que não conheço sua estória?
Mas era o início de uma nova jornada, ela já havia cumprido seu objetivo de vida,
vai que tivesse mudado e se arrependido, não é?
As pessoas merecem uma nova chance, afinal mudanças acontecem.
viver em paz com ela, aceitá-la e até ser gentil, chamei a atenção dos seres que ali viviam.

Todos ficaram contente com a nova presença que ali estava.
Eu fazia sucesso entre eles. Conversávamos por horas,
tratava-os com tamanha educação e gentileza,
que logo os elogios vieram e chegaram aos ouvidos da minha velha colega.
Juro que nunca quis tomar seu lugar na floresta, e nem quero.
Não curto comandar, a função que ali exerço é a que mais me agrada e me faz feliz.
Desbravar aquele local, me encantava, me fascinava e minha gentileza e educação,
são só parte da educação que recebi de casa.
Mas mal sabia eu que a velha que vivia a fiar, se irritaria com o meu sucesso em sua floresta.

De repente, o sol que tanto brilhava e acalentava meus dias, sumiu, e as nuvens juntaram-se
fechando o tempo, trazendo um enorme frio à Paris.
Desde então, eu não tenho vivido em paz. Tudo que faço é motivo de reclamação e broncas.
Ao ponto de que até a minha gentileza e agradabilidade passaram a irritá-la,
embora não sendo a única a sentir isso, dissera ela, que os meus colegas de habitação também
sentiam o mesmo. Criticou minha educação, por eu não ter sido educado em uma floresta,
e que por isso deveria parar. Questionei o porque? Mas você pensa que houve conversa?
Não. Ela somente disse é assim e pronto. Se quiser continuar em minha floresta, vai seguir a dança que eu decidir.

Em meio a tudo isso, eu e o leão de Nárnia, que vivíamos em paz,
como vínhamos vivendo há semanas, mais uma vez nos desentendemos.
A briga foi séria por uma coisa inútil, como ele mesmo disse, ridícula.
As relações cordiais foram estremecidas e, aparentemente, cortadas.
Fui acusado disso e daquilo pela velha fiandeira e pelo leão,
nem tive como me defender. Olhava para o céu e o sol havia sumido,
a escuridão tomara conta de lá, meu brilho sumira, minha energia deixara de existir.
Paris ficou inabitável, perigosa.
Não sei mais onde por meus pés e conseguir caminhar. Estou parado e perdido. Não enxergo um palmo à minha frente, por mais forte e clara que a lua se faça.
Mas não dizem que a esperança é a ultima que morre, enquanto é a primeira que mata?
Então, ao me matar, porém, antes mesmo de morrer por ultimo, eis que em meio à escuridão,
esbarro em uma mão. Uma mão que, seguramente, não estava perdida. Uma mão que, meio sem razão, me dera sustentação e um norte.

Começara ali a enxergar as primeiras coisas em meio ao escuro.
Não que tenha-se feito a luz, não. Apenas minhas pupilas dilataram e se acostumaram à escuridão.
Ficamos ali parados, a caminhar por Paris, conversando sem nos movermos, mas fomos em cada
canto dessa cidade fascinante. Não movemos se quer um fio de cabelo,
mas chegamos à Sacre Couer, ali mesmo em Montmartre.

Quando de repente comecei a sentir a textura da pele daquela mão
e me lembrei que a conhecia. Tinha alguns meses que não nos víamos,
e mesmo nesse tenebroso escuro, ela me encontrara.
Ah, minha querida e estimada Carmen, que tantos balangandãs moveu,
em seus shows, em sua jornada, em sua vida. Como é bom reencontrá-la!
Você conseguiu me dar coragem, para encarar esses dias nublados, e me deu de volta esperança, pelos os quais o sol, ao raiar, encandeará minha vida de alegria e felicidade, podendo curtir, outra vez, minha primavera, que quer se desembocar em um delicioso verão parisiense.
Obrigado, Carmenzita!